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A gratidão pelo carisma do Padre Julio Chevalier - por Dom Agenor Girardi, MSC


Discípulos do Coração: - A preocupação do Pe. Chevalier pela humanidade, especialmente pelos mais pobres, se transformou em seu projeto missionário. A missão não é apenas uma preocupação meramente humana, mas em primeiro lugar, intimidade com o Coração compassivo de Jesus. Toda missão e apostolado é uma participação no ministério de Cristo, que se origina no Pai, com a força do Espírito. Pe. Chevalier descobriu na espiritualidade do Sagrado Coração, o Cristo preocupado com a humanidade; um Cristo capaz de sentir conosco nossas misérias. Não se podem ser testemunhas, sem antes serem discípulos deste Coração. A Congregação nasceu pobre, numa casa improvisada e com péssimas condições. Não nos esqueçamos que foi aí que tudo começou... Era semelhante à manjedoura onde Jesus nasceu...

A fecundidade do Carisma MSC: - O Espírito continua agindo em nós e através de nós. O carisma do Pe. Chevalier continua vivo e atual. Como nos diz o Vaticano II: - “É uma árvore frondosa com muitos ramos” (LG 43). - Ficamos surpresos em saber que hoje existem na Igreja 21 Congregações Religiosas, que foram fundadas a partir do nosso carisma MSC. Ao lado do carisma temos também a presença de Maria. O título de Nossa Senhora do Sagrado Coração é uma das nossas maiores riquezas e constitui fonte de espiritualidade. Todo MSC se identifica com este título. Temos necessidade de agradecer e perceber que fazemos parte de um carisma missionário. Temos necessidade de renovar o nosso amor MSC, embora que nem sempre o expressamos com palavras.

Olhando para esta história: - Olhando para o Pe. Chevalier e seus escritos podemos perceber que foi um homem que passou pela “prova de fogo”, mas não desanimou. Ele foi um vitorioso. Temos consciência do difícil início de nossa Congregação e dos longos anos em que o Pe. Chevalier e o Pe. Piperon viveram praticamente sozinhos. Foi uma dura provação perceber como o tempo passava e a Congregação não crescia. No ano de 1880, quando a congregação tinha 26 anos e apenas 59 membros, deu-se a expulsão da França e o confisco dos bens. Foi um momento de muitas incertezas, mas também de novas expansões e crescimentos. Durante a Primeira guerra mundial (1914-1918), a Congregação teve um aumento de apenas quatro membros. O período em que a Congregação mais cresceu foi entre as duas guerras mundiais. Em 1918 tinha 916 membros e em 1939, quando começou a Segunda guerra mundial, tinha 2.823 membros. Portanto, num período curto de apenas 21 anos, a Congregação teve um aumento de 1.907 membros. Foi mesmo um milagre inexplicável. O carisma expandiu de uma maneira que ninguém podia imaginar. O maior número de Missionários que a Congregação teve foi no ano de 1965, quando chegamos a 3.217 membros. Atualmente estamos presentes em mais de 50 países e nos cinco continentes. O carisma continua...

A imagem desgastada do fundador: - Olhando a história e lendo seus escritos, especialmente em suas Notas Intimas, percebe-se que durante vários anos, a imagem do Pe. Chevalier ficou desgastada e, até desacreditada, por um grande grupo de MSC. O rosto do fundador foi desfigurado. A Congregação passou por profundas crises internas, além de toda a problemática social e política que a França vivia. Houve profundas tensões dos grupos antagônicos, com calúnias e acusações injustas, causando assim profundo sofrimento para o fundador. Tudo isto durou até sua morte, especialmente a partir do ano de 1891 em diante, quando Chevalier já beirava os 70 anos. No meio de toda a adversidade, Chevalier mantinha sempre uma constância serena e a firme confiança na Providência Divina. A frase, que para nós passou a ser um grande lema de coragem e inventivo, expressa a grande capacidade do Chevalier em não se deixar abalar por todos os conflitos existentes: - “Quando Deus quer uma obra, para ele os obstáculos são meios”.  - Como esta frase do fundador ressoa hoje dentro de nós? – Compare esta frase com sua história de vida. - Elabore o seu mapa missionário... - Reveja os lugares por onde passou... - O amor que semeou... – A esperança que levou...

Somos amado pelo povo: - Por onde passamos deixamos marcas profundas do nosso carisma e de nossa espiritualidade. Isso é muito visível. No geral, o povo ama os membros de nossa Congregação. Nosso modo de ser anima e contagiam as pessoas, especialmente as comunidades mais pobres. As pessoas ficam tocadas. Sentem que são amadas pelos nossos missionários. Por isso, podemos nos sentir felizes de ser MSC. Podemos vibrar com este carisma. As obras e paróquias que deixamos e entregamos para as Dioceses continuam tendo as “marcas” de nossa Congregação. Não podemos nos esquecer também dos mártires da Congregação, mas também os que deram à vida nas missões enfrentando todo tipo de provações e obstáculos. Encontrei uma frase que diz assim: - “As mais belas e gloriosas páginas da nossa Congregação foram escritas nas missões”. - Estamos abertos às necessidades da Congregação e da Igreja.

Recomendações do fundador: - Pe. Chevalier foi um homem aberto à ação do Espírito. Recomendava a todos os MSC como leitura espiritual as Cartas de São Paulo. Seu Evangelho predileto era o de João. Aos que entravam na Congregação pedia com insistência que se dedicasse ao estudo “piedoso e afetivo” das Escrituras. É claro que os tempos de Chevalier não são os nossos. Hoje temos que dar respostas para o momento atual que estamos vivendo. Em 1887 o Pe. Chevalier escrevia ao Pe. Jouët: - “Já que as Sociedades modernas entraram para uma nova fase da história, é necessário que encontremos novos modos de lutar e combater, que correspondam às necessidades da Igreja”. – O estilo de escrita é do seu tempo, porém a mensagem é atual para os nossos dias. Pe. Chevalier desejava a união entre os seus membros. Assim ele escreveu quando a situação estava muito difícil: - “O espírito de crítica é uma verdadeira peste na Congregação e leva as pessoas à cegueira. Que sejamos unidos entre nós pelos laços da caridade. A desunião numa Sociedade a leva à ruína”.

Como ser MSC hoje? – Esta é uma pergunta que merece a nossa atenção. Precisamos rever e avaliar sempre o nosso modo de ser e de fazer. Não podemos perder o entusiasmo profético e missionário. As palavras do Pe. Cuskelly, que foi Superior Geral em nossa Congregação, podem nos ajudar também neste processo de retomada da vida consagrada. - “Sem oração a aliança vira contrato. Sem oração é impossível viver o celibato, pois ele supõe uma solidão que só pode ser preenchida pelo amor de Cristo. Sem oração a solidão vira isolamento e a comunidade um clube. Sem oração a missão é apenas uma propaganda empresarial e a fidelidade se torna um rito vazio”. - Também as palavras do Pe. Chevalier continuam sendo uma fonte de incentivo e superação dos defeitos: - “Um carvalho leva muitos anos para atingir a perfeição. Por isso, não devemos nos admirar de nossas imperfeições”. - Pense em seu processo de maturidade emocional, afetiva e espiritual. - Reflita sobre o seu “Sim” ao longo destes anos, sua capacidade de dar novo sentido aos fatos adversos.

Ação de graças: - Cada MSC tem seus motivos para agradecer a Deus. Não existe ação pastoral sem a gratidão. Nestes 162 anos de história, encontramos uma fileira de homens voltados para o Coração de Jesus, mas também voltados para os pobres e pequenos do nosso meio social. - Cada MSC, do seu modo, procura levar a mensagem de ternura deste Coração compassivo por onde passa. São 162 anos de história marcada pela fragilidade humana, mas também pela grandeza de alma de cada membro desta Congregação. - Continuamos a beber desta “fonte inspiradora”, que teve sua origem na graça concedida ao Pe. Chevalier, naquela manhã de 08 de dezembro de 1854...

- Convido agora você a descobrir alguns fatos que são motivos para dar graças a Deus na história da Congregação. – Traga presente alguns MSC que mais marcaram a sua vida. – Escreva agora sua prece de gratidão...


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